quinta-feira, 5 de abril de 2012

Debate entre os candidatos universais ao CD/Far

Ontem, 04/04/2012, ocorreu o debate entre os candidatos para as vagas universais de conselheiros para o CD/Far.

Antes de fazer um relato para aquelas pessoas que não puderam comparecer ao debate, gostaria de destacar o elevado nível apresentado entre os contendores. Destaco, também, a conduta adequada da comissão eleitoral, que não permitiu desvios aos acordos previamente estabelecidos.

A seguir faço um relato dos questionamentos feitos pelos presentes.

Inicialmente, todos os candidatos fizeram uma apresentação sobre suas propostas, currículos ou desejos, que aconteceu por ordem do número definido na cédula de votação.

No meu caso, como disponibilizei meu currículo sintético neste blog e na intranet de Far, preferi falar mais detalhadamente das minhas preocupações, propostas e compromissos (veja neste blog, na coluna lateral, meu mini-currículo. Para currículo completo, peço que vejam a Plataforma Lattes).

Em seguida, foi aberto à platéia, a possibilidade de questionar os candidatos. Ficou acertado que todos responderiam a todas as perguntas.

As perguntas estão colocadas aqui de forma compacta, para simplificar a apresentação.

  
Os candidatos foram chamados a mesa pela Comissão Eleitoral
Mesa composta pelos candidatos
A primeira pergunta foi feita pelo colega Paiá, da Coordenação de Serviços, que colocou o seguinte questionamento: Quais seriam os pontos críticos no projeto estratégico de Farmanguinhos, opinião sobre o modelo de gestão e os problemas da gestão, como avaliar Far e sua inserção na industria farmacêutica e sobre gestão de pessoas em Far. Respondendo disse que Farmanguinhos não pode deixar de atuar como regulador de mercado e formulador de política para o Ministério da Saúde e que, teoricamente, o plano quadrienal de Far, que é desdobramento do PQ da Fiocruz, deveria dar conta desse projeto estratégico, mas deixando claro que Far não tem efetivamente um projeto estratégico. Que temos o desafio de estabelecer um modelo de gestão que dê conta dos todos os aspectos importantes para a unidade e que, entretanto, também não temos um modelo de gestão definido ou em implementação, o que acaba acarretando uma série de problemas na gestão da unidade, corroborado com o fato de não se dispor de dados divulgados para que se possa tomar decisões ou fazer proposições. Como membro do CD/Far tenho que buscar, com empenho, que seja estabelecido o compromisso da gestão com o binômio eficiência-eficácia o que melhoraria a unidade em todos esses aspectos. Ainda como membro do CD é preponderante que se escute a comunidade, nos seus anseios e necessidades, reforçando a importância de se fazer cumprir o papel do CD quando fala de normatização e deliberação. Em relação às pessoas o fundamental é valorização e transparência.

Gostei muito da pergunta da colega Cristiane Magalhães quando ela quis saber dos candidatos o que achavam de eleição de diretor de Far com uma chapa formada. Eu me posicionei claramente a favor de se apresentar uma chapa com os nomes das pessoas que participariam da gestão desse candidato a diretor. Três aspectos dessa postura se destacam: primeiro não se perderia tempo para iniciar a nova gestão articulando nomes, o novo diretor não sofreria pressões após eleito para indicar nomes diferentes aos já divulgados anteriormente e, principalmente, os eleitores poderiam, com antecedência, presumir ou projetar como seria a gestão no futuro, pelo perfil e qualificação dos nomes propostos, o que poderia confirmar ou fazer mudar o voto do servidor no candidato.

Marcelo Pereira, nº 10, expondo seus pontos de vista

A colega recém concursada Cristiane pediu que cada candidato respondesse de forma sucinta, se possível em uma frase a seguinte pergunta: Para quem, para que e pelo que trabalhamos. A maioria reforçou que como membro do CD trabalharia para os companheiros servidores e terceirizados para atender suas solicitações. No meu ponto de vista, entendendo a posição dos demais colegas, mas discordando deles, a minha resposta foi a seguinte: Eu trabalho para a sociedade, pois sou servidor público e entrei na Fiocruz com essa visão, para atender aos anseios dessa mesma sociedade, em relação a Far, seguindo alinhado a missão institucional e pelo bem da sociedade, que será impactada pela nossa atuação, e da saúde pública. Complementei lembrando que participar do CD é um meio para se atingir esse objetivo e que isso só será possível ouvindo e sendo a voz dos servidores no CD.

Marcelo Pereira fazendo sua apresentação e respondendo a perguntas dos presentes

O Lucimar, da Gestão de Pessoas, quis saber o que todos achavam sobre a possibilidade de se vir a exigir ponto a todos os trabalhadores de Far. Eu, como primeiro a responder, disse que não me oponho a possibilidade da exigência de ponto para os servidores, até porque, quando recém-concursado fui trabalhar no IFF que tinha ponto eletrônico para todos os servidores. Entretanto, questionei os critérios que viessem a ser adotados na implementação dessa nova obrigação. Que adianta uma pessoa chegar na hora e sair na hora, mas não ser produtivo para a unidade? Imaginemos que um colega tenha problema para chegar na unidade por causa do trânsito, mas mesmo chegando atrasado é uma pessoa altamente produtiva? O que é melhor para a unidade? Portanto, antes de se definir a implementação do ponto, por si só, devemos discutir, profundamente, os critérios e impactos dessa adoção.

A colega Gil quis saber o que achavam sobre concurso público com perfil direcionado, como atuar em relação ao plano de carreiras e sobre a preparação, baseada em meritocracia, quanto a processo sucessório. Disse que perfil direcionado é anti-ético, mas que assim mesmo, nem sempre funciona. Ainda bem. Por isso eu estou aqui na Fiocruz. Quanto a plano de carreira, como membro do CD teremos pouca participação/atuação e que sucessão na Fiocruz ainda é um tabu muito grande a ser discutido, mas que é fundamental que os novos sejam preparados para assumir as posições de comando no momento que for necessário.

A colega Sílvia quis saber se como membro do CD a atuação se pautaria pelo atendimento dos anseios da coletividade ou as decisões se dariam baseadas em posicionamento próprio? Disse que se eu estou me candidatando como representante dos servidores no CD eu tenho que discutir com eles os temas que serão tratados no CD e me posicionar de acordo com o consenso obtido. É óbvio que nessa discussão de consennso, antes da própria reunião do CD procurarei mostrar meu ponto de vista, mas que valerá o que for decidido por todos. Por isso é muito importante que a pauta com os temas a serem discutidos pelo CD sejam divulgadas com antecedência, como está previsto no regimento do CD, mas que, aparentemente, não vem sendo cumprido e esse é um dos pontos contidos na minha plataforma.

O colega Tiago falou sobre o plano estratégico de Far, mas salientou que o plano operacional é que é importante para a atuação da instituição e quis saber dos candidatos como ele estava permeado pela organização? Reforcei que temos uma grande dificuldade em estabelecermos, realmente, um plano estratégico para a instituição, principalmente pelo fato das pessoas não estarem instrumentalizadas/qualificadas/treinadas para fazê-lo. Além disso, o plano operacional, que são os planos de ação desdobrados do plano estratégico, não estão claramente definidos, nem estruturados de forma que se possa acompanhá-los e medi-los. É básico na gestão a máxima que diz: quem não mede não gerencia. E é isso que parece acontecer aqui em Farmanguinhos. Só tomamos decisões baseados em fatos e dados. E como podemos tomar decisões em Far, ou colaborar no sentido de aprimorar os processos internos se não dispomos de dados para fazê-lo? Temos uma gestão, há três anos na direção e, até hoje, não emitiu sequer um relatório da gestão. De qualquer forma, mesmo que disponha de dados, não disponibilizados não sabemos porque, qual o critério de coleta de dados é utillizado? Como os indicadores definidos servem para aprimorar os processos? Acredito que muito ainda deve ser feito para que a gestão de Far seja aprimorada. Nesse aspecto, o representante no CD/Far tem um papel relevante.

O colega Brandão exortou aos novos servidores sobre os avanços democráticos e se tinham consciência dessas práticas novas serem importantes. Reforcei que todos os avanços democráticos são fundamentais para a instituição e para todos os servidores, mas que mais importante ainda é se continuar o processo de melhoria constante dessas práticas democráticas. Não basta, simplesmente, lançar uma ação e não exercitá-la plenamente. Como exemplo podemos dar o próprio CD/Far, que, em príncipio, seria um avanço democrático, mas que até hoje não teve sequer uma ata de reunião divulgada e a maioria da comunidade não sabe como opera. É preciso transparência. É preciso que haja divulgação, comunicação, que no caso de Far, a meu ver, e de muitos colegas que vem falar comigo, está deficiente. A garantia do progresso é a eterna vigilância.

Finalmente, o colega Luiz, após relembrar palavras emocionadas da colega de Biomanguinhos, em apresentação do dia anterior, quando se discutia a proposta de alteração do regime jurídico para Farmanguinhos e Biomanguinhos se tornarem subsidiárias da Fiocruz, perguntou se estava claro para todos que essa mudança iria otimizar o funcionamento dessas unidades. Coloquei que as próprias palavras dele já mostravam que o nosso desafio está no modelo de gestão e não no modelo jurídico. Quando falamos em otimizar, basicamente estamos falando de aumentar a eficiência e eficácia, melhorar os processos de trabalho e alcançar melhores resultados. Isso se chama gestão. Se Biomanguinhos se lança de cabeça nessa proposta de transformação em subsidiária é porque, antes disso, já fez seu dever de casa em estabelecer um modelo de gestão  que dê conta dos novos desafios que irão enfrentar. Já desenvolveram um projeto estratégico para eles e instrumentalizaram todas as pessoas da instituição para fazê-lo cumprir, com planos de ação adequados. Em outras palavras, já estão fazendo gestão, baseados em um modelo que os levará ao sucesso, qualquer que seja o regime jurídico. Particularmente, entretanto, não podemos deixar de citar que o PNI (Plano Nacional  de Imunizações), como citado pelo diretor de Biomanguinhos, lhes dá uma garantia de aporte sistemático de recursos, sem falar nos investimentos que o governo já está fazendo naquela unidade. No caso de Farmanguinhos a realidade é completamente diferente. Não temos uma garantia de um plano cativo de fornecimento de medicamentos e o mais relevante é que não temos um modelo de gestão claramente definido para a unidade. Mais uma vez, neste aspecto, o representante no CD, que conheça sobre gestão, poderá contribuir, decisivamente, para o sucessso da unidade.

Concluí minha apresentação dizendo que pretendo contribuir para o sucesso de Farmanguinhos e que, independentemente de quem está na direção, o meu compromisso é com a instituição, os servidores e colaboradores que contribuem para o cumprimento dos objetivos e, principalmente, com a sociedade brasileira, que depende, integralmente, do  sucesso de nossas iniciativas.

Desejo boa sorte a todos e peço o voto de todos.

Marcelo Pereira, nº 10



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